segunda-feira, 4 de abril de 2011

Anjo caido.


O que faria aquela bela mulher dos cabelos negros sentada no banco de uma praça imunda no centro olhando as pombas tão sujas quanto a sua consciência ? sua pele tão branca fazia o reflexo do luar ficar mais intenso nos restos da chuva deixados na velha fonte quebrada.
Sua maquiagem borrada, suas roupas rasgadas chamavam a atenção de todos, mas principalmente de um velho que costumava passar suas noites solitárias lembrando da sua juventude naquele mesmo lugar. O senhor dos cabelos grisalhos levantou do seu banquinho de madeira com dificuldades apoiado na sua bengala velha feita em casa com restos de bambu, sentou do lado da bela mulher a cedeu seu lencinho de pano bem dobrado secou suas lágrimas segurou sua mão e disse "Conte-me sua história". A mulher não tinha gostado nada da atitude daquele velho abusado, estava nervosa e ia lhe soltar uma de suas respostas grossas ensaiadas, foi quando olhou no fundo daqueles olhos negros e viu o reflexo de sua alma, e como um impulso as palavras saltaram dos seus labios bem desenhados e cheio de resto de sangue: " Sou um anjo caido meu senhor, vendi minha alma e me roubaram a recompensa". O senhor sem entender colocou a mão em suas costas sentiu algo frio e um cheiro forte de ferro, no mesmo instante o velho sentiu uma dor insupotável exatamente no mesmo lugar onde sua mão estava apoiada na mulher. "Ai ficavam as minhas asas" disse a boca com gosto de sangue, ela se ajoelhou na frente do senhor, colocou a sua pequena mão marcada pelo tempo em seu coração. "Pode sentir? sente a minha dor?". O velho foi desfalecendo, sentindo o seu coração parar aos poucos, a agunstia de toda a sua vida passava lenta por suas veias sendo drenadas. A mulher com um sorriso no rosto contou assim a sua história ao velho abusado. "Sou a morte, e vim tira-lo desta realidade suja"

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